{"id":83,"date":"2023-02-24T16:06:31","date_gmt":"2023-02-24T19:06:31","guid":{"rendered":"https:\/\/professorpaulosouza.com.br\/?p=83"},"modified":"2023-12-09T10:08:32","modified_gmt":"2023-12-09T13:08:32","slug":"antiguidade-oriental-egito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/professorpaulosouza.com.br\/index.php\/2023\/02\/24\/antiguidade-oriental-egito\/","title":{"rendered":"Antiguidade Oriental: Egito"},"content":{"rendered":"\n<p>O Egito, no nordeste da \u00c1frica, foi o primeiro reino unificado da hist\u00f3ria. \u00c9 um dos mais longos casos de continuidade pol\u00edtica e cultural da humanidade. Embora tenha vivido momentos de descentraliza\u00e7\u00e3o e de domina\u00e7\u00e3o estrangeira, durante tr\u00eas mil\u00eanios o Egito constituiu uma mesma entidade pol\u00edtica reconhec\u00edvel e, do ponto de vista cultural, sua l\u00edngua e sua religi\u00e3o permaneceram relativamente est\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p>Os vales f\u00e9rteis do Rio Nilo come\u00e7aram a ser ocupados por popula\u00e7\u00f5es sedent\u00e1rias em torno de 5000 a.C. As inunda\u00e7\u00f5es regulares ensinaram aos povos que ali se estabeleceram o funcionamento do Nilo: durante as cheias, as \u00e1guas inundam as margens, espalhando h\u00famus, o material org\u00e2nico que fertiliza o solo, fazendo com que as vazantes descubram terras pr\u00f3prias para o cultivo. Para otimizar os recursos h\u00eddricos, os habitantes fizeram constru\u00e7\u00f5es para transportar as \u00e1guas das cheias e irrigar outros lugares; desenvolveram tecnologias para drenar os terrenos encharcados; e constru\u00edram barragens para controlar o fluxo das \u00e1guas do rio. A necessidade de coordenar a constru\u00e7\u00e3o dessas obras fez com que surgissem unidades administrativas, que depois se aglutinaram para formar o Egito.<\/p>\n\n\n\n<p>Inicialmente, os povos que se estabeleciam \u00e0s margens do Nilo formavam unidades chamadas nomos (prov\u00edncias cujos habitantes adoravam o mesmo deus e seguiam os mesmo rituais), cada um governado por um nomarca. Com o tempo, alian\u00e7as entre nomos deram origem a dois reinos, o Baixo Egito, ao Norte, e o Alto Egito, ao Sul. Cada um tentava controlar o outro, at\u00e9 que o rei <strong>Men\u00e9s<\/strong> do Alto Egito unificou os dois, tornando-se o \u00fanico soberano. Com isso, teve in\u00edcio o Per\u00edodo Din\u00e1stico, cujos reis s\u00e3o chamados de fara\u00f3s (fara\u00f3 significa \u201ccasa-grande\u201d ou \u201ccasa real\u201d). A divis\u00e3o do territ\u00f3rio em nomos acompanhou toda a hist\u00f3ria do Egito Antigo, embora a autonomia dos nomarcas tenham variado em fun\u00e7\u00e3o da concentra\u00e7\u00e3o de poder pelo fara\u00f3 reinante.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"547\" src=\"https:\/\/professorpaulosouza.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/image-16.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-112\" srcset=\"https:\/\/professorpaulosouza.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/image-16.png 640w, https:\/\/professorpaulosouza.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/image-16-300x256.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Men\u00e9s<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Na sociedade eg\u00edpcia, os fara\u00f3s eram os soberanos considerados de origem divina, deuses vivos e intermedi\u00e1rios entre o povo e os deuses. Abaixo deles, os sacerdotes (de ambos os sexos), administravam templos e cerim\u00f4nias religiosas. Possu\u00edam muitos bens e n\u00e3o pagavam impostos. Ao lado dos sacerdotes, estavam os altos funcion\u00e1rios do governo, principalmente o vizir e os escribas. O vizir era uma esp\u00e9cie de primeiro-ministro, encarregado de supervisionar a pol\u00edcia, a justi\u00e7a e a cobran\u00e7a de impostos. J\u00e1 o trabalho dos escribas era anotar os impostos arrecadados, as \u00e1reas cultivadas, o volume da colheita e os rebanhos. Essa profiss\u00e3o era ocupada tanto por homens como por mulheres. As formas de escrita utilizadas pelos escribas eram a <strong>hierogl\u00edfica<\/strong>, para textos sagrados e ornamenta\u00e7\u00f5es nos templos e t\u00famulos (o que revela uma liga\u00e7\u00e3o entre a escrita e a afirma\u00e7\u00e3o da realeza) e a <strong>hier\u00e1tica<\/strong>, empregada em documentos oficiais redigidos inicialmente sobre tabletes de argila e depois em papiro. Mais tarde, surgiu a escrita <strong>dem\u00f3tica<\/strong>, para assuntos do cotidiano. A escrita eg\u00edpcia foi decifrada pelo estudioso franc\u00eas Champollion, no s\u00e9culo XIX, ap\u00f3s a an\u00e1lise da Pedra de Roseta, uma pedra encontrada durante a campanha de Napole\u00e3o ao Egito que continha o mesmo texto (um decreto ordenando o culto ao fara\u00f3 Ptolomeu V) escrito em grego, hierogl\u00edfico e dem\u00f3tico.<\/p>\n\n\n\n<p>Ocupando uma posi\u00e7\u00e3o social intermedi\u00e1ria, encontravam-se os artistas a servi\u00e7o do rei, da corte e do templo, os comerciantes e os artes\u00e3os (pedreiros, carpinteiros, oleiros, ceramistas, escultores e pintores), que tinham seus of\u00edcios transmitidos hereditariamente. A maior parte da popula\u00e7\u00e3o era formada por camponeses&nbsp; analfabetos, chamados de fel\u00e1s, que plantavam trigo e cevada (com os quais faziam p\u00e3o e cerveja), linho (com o que faziam tecidos), leguminosas \u2014 importantes fontes de prote\u00edna, j\u00e1 que poucos tinham acesso \u00e0 carne \u2014, vegetais e frutas como a uva e a t\u00e2mara; os fel\u00e1s estavam sujeitos a tributos e trabalhos for\u00e7ados, em regime conhecido como \u201cservid\u00e3o coletiva\u201d ou &#8220;modo de produ\u00e7\u00e3o asi\u00e1tico&#8221;. Por fim, os escravos eram estrangeiros vencidos de guerra, brutalmente explorados.<\/p>\n\n\n\n<p>De modo geral, os eg\u00edpcios comuns viviam em casas simples de barro e junco, valorizavam a vida em fam\u00edlia e o trabalho (os homens, na lavoura, e as mulheres, em casa), gostavam de boa comida e cerveja, jogavam jogos de azar, as crian\u00e7as estudavam e brincavam, as meninas eram vaidosas e gostavam de maquiagem (assim como muitos homens); era comum criarem gatos de estima\u00e7\u00e3o, animais considerados sagrados, provavelmente porque combatiam ratos e cobras nas casas e celeiros; e, quando algu\u00e9m adoecia, ia ao m\u00e9dico ou ao dentista. Em outras palavras, a vida n\u00e3o era t\u00e3o diferente da de hoje em dia.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 os mais ricos viviam em casas de tijolos de barro cozido ou pedra e viviam cercados de luxos. Um dia t\u00edpico do fara\u00f3, por exemplo, come\u00e7ava no fim da madrugada, com a leitura da correspond\u00eancia real e o encontro com o vizir para saber das \u00faltimas not\u00edcias; depois, ele ia para o banho, raspava a cabe\u00e7a e a barba, cuidava das unhas e se vestia com coroa, peruca, barba posti\u00e7a, tanga e v\u00e1rias joias e amuletos; j\u00e1 limpo e paramentado, o fara\u00f3 se juntava aos principais sacerdotes para cultuar as divindades eg\u00edpcias em cerim\u00f4nias realizadas dentro de salas do pal\u00e1cio com acesso restrito \u2014 o que, inclusive, revela o respeito dado pelas classes privilegiadas aos deuses e aos rituais religiosos. Portanto, dizer que a  religi\u00e3o no Egito Antigo era apenas um instrumento de controle da massa, utilizada pelo fara\u00f3 e pelos sacerdotes para \u201cenganar\u201d o povo e justificar os pr\u00f3prios privil\u00e9gios, \u00e9 uma simplifica\u00e7\u00e3o que n\u00e3o condiz com a realidade. Ap\u00f3s o seu culto privado, o fara\u00f3 fazia uma refei\u00e7\u00e3o, na qual havia pelo menos 40 tipos de alimento, como peixes, carne de ca\u00e7a (patos, perdizes) ou de animais dom\u00e9sticos (galinhas, pombos e gado), p\u00e3es, bolos e vegetais, tudo previamente provado por funcion\u00e1rios para evitar envenenamentos. Para se divertir, o fara\u00f3 praticava esportes, como o arco e flecha, a equita\u00e7\u00e3o, a corrida e a pilotagem de carros de combate.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa organiza\u00e7\u00e3o da vida eg\u00edpcia se manteve durante toda a exist\u00eancia do Egito unificado, atravessando os per\u00edodos conhecidos como Antigo, M\u00e9dio e Novo Imp\u00e9rio, com exce\u00e7\u00e3o dos chamados per\u00edodos intermedi\u00e1rios, que ficaram marcados pela descentraliza\u00e7\u00e3o do poder ou pela domina\u00e7\u00e3o por povos estrangeiros. No <strong>Antigo Imp\u00e9rio<\/strong>, o fara\u00f3 Djoser estabeleceu a capital na cidade de M\u00eanfis. Nessa fase, grandes pir\u00e2mides foram constru\u00eddas, incluindo a de Djoser (a <strong>Pir\u00e2mide de Degraus<\/strong>), projetada e executada pelo famoso arquiteto Imhotep, e as de Giz\u00e9:<strong> Qu\u00e9ops, Qu\u00e9fren e Miquerinos<\/strong>, cada uma dedicada ao fara\u00f3 hom\u00f4nimo. A maior delas, a de Qu\u00e9ops, \u00e9 considerada uma das sete maravilhas do mundo antigo, e \u00e9 a \u00fanica que continua de p\u00e9.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"427\" src=\"https:\/\/professorpaulosouza.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/image-27.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-635\" srcset=\"https:\/\/professorpaulosouza.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/image-27.png 640w, https:\/\/professorpaulosouza.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/image-27-300x200.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Pir\u00e2mide de Degraus<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"426\" src=\"https:\/\/professorpaulosouza.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/image-13.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-109\" srcset=\"https:\/\/professorpaulosouza.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/image-13.png 640w, https:\/\/professorpaulosouza.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/image-13-300x200.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Pir\u00e2mides de Giz\u00e9<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Existem algumas hip\u00f3teses sobre como os eg\u00edpcios ergueram as pir\u00e2mides. Sabe-se que, antes da constru\u00e7\u00e3o, para aplainar o terreno, eles alagavam o local e cavavam valas com a mesma profundidade; depois, drenavam a \u00e1rea, de modo que a \u00e1gua sobrasse apenas dentro dos canais; finalmente, bastava-lhes guiarem-se pelo n\u00edvel da \u00e1gua para retirar o excesso do solo, deixando-o plano. Com o terreno preparado, os eg\u00edpcios traziam blocos de pedra cortados com ferramentas de bronze e transportados em tren\u00f3s de madeira puxados por cordas (para facilitar o deslizamento, a areia do trajeto era molhada). Para levar os blocos a cada camada da pir\u00e2mide, pode ser que eles usassem uma rampa em forma de espiral; ou uma rampa em zigue-zague em uma das faces da pir\u00e2mide; ou um rudimentar guindaste (um jogo de gangorras e alavancas), entre outras possibilidades.<\/p>\n\n\n\n<p>As pir\u00e2mides evolu\u00edram das mastabas (t\u00famulos na forma de um degrau s\u00f3), e serviam como local para depositar o corpo do fara\u00f3 depois que ele morria. A <strong>Esfinge de Giz\u00e9<\/strong>, uma grande est\u00e1tua que representa um ser mitol\u00f3gico, com cabe\u00e7a de homem e corpo de le\u00e3o, \u00e9 da mesma \u00e9poca das grandes pir\u00e2mides e provavelmente foi constru\u00edda por ordem de Qu\u00e9fren.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"480\" src=\"https:\/\/professorpaulosouza.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/image-14.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-110\" srcset=\"https:\/\/professorpaulosouza.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/image-14.png 640w, https:\/\/professorpaulosouza.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/image-14-300x225.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Esfinge de Giz\u00e9<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>No <strong>Primeiro Per\u00edodo Intermedi\u00e1rio<\/strong>, os nomarcas (chefes locais) ganharam poder e criaram pequenos estados independentes. Com a chegada do <strong>M\u00e9dio Imp\u00e9rio<\/strong>, a unidade pol\u00edtica foi restabelecida. A cidade de Tebas passou a ser a capital. Com essa mudan\u00e7a, o deus Sol, h\u00e1 muito tempo cultuado pelos eg\u00edpcios com o nome de R\u00e1, foi identificado com o deus tebano Amon, surgindo da\u00ed Amon-R\u00e1, o rei dos deuses, deus do Sol e criador do universo (mais tarde, surgiu outro nome para esse deus, \u00c1ton, vinculado a um projeto pol\u00edtico). Este se tornou a divindade mais cultuada oficialmente, embora, no M\u00e9dio Imp\u00e9rio, a perspectiva de vida ap\u00f3s a morte para toda a popula\u00e7\u00e3o (e n\u00e3o apenas para o fara\u00f3) tenha tornado Os\u00edris \u2014 deus da morte e da ressurrei\u00e7\u00e3o \u2014 o mais popular do pante\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a cosmogonia eg\u00edpcia, os primeiros filhos de R\u00e1 foram Shu (deus do ar) e Tefnut (deusa da umidade e da chuva). Os irm\u00e3os formaram um casal e tiveram os filhos Geb (deus da terra) e Nut (deusa dos c\u00e9us). Ao nascerem, Geb e Nut se juntaram num abra\u00e7o. Shu separou os dois, empurrando para cima Nub, que deu origem ao c\u00e9u, e para baixo Geb, que deu origem \u00e0 terra, e Shu permaneceu entre eles, tornando-se o ar que as pessoas respiram para viver.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s a cria\u00e7\u00e3o do c\u00e9u, da terra e do ar entre os dois, R\u00e1 reinou sobre a terra como primeiro fara\u00f3. Tendo ouvido uma profecia de que Nut daria \u00e0 luz um filho que o destronaria e querendo evitar isso, R\u00e1 proibiu a pr\u00f3pria neta de gerar descendentes. Por\u00e9m, ela desobedeceu \u00e0 ordem e foi da\u00ed que nasceram Os\u00edris, Isis, Seth e N\u00e9ftis. O primeiro cumpriu a profecia e reinou junto a Isis, com quem se casou. J\u00e1 Seth se uniu \u00e0 outra irm\u00e3, N\u00e9ftis.<\/p>\n\n\n\n<p>Os\u00edris era considerado um rei s\u00e1bio e justo. Os eg\u00edpcios ainda n\u00e3o eram um povo civilizado e tinham h\u00e1bitos selvagens, como o canibalismo. O rei criou leis e ensinou o povo sobre o que era adequado comer, como plantar e como adorar os deuses. Esse trabalho o obrigava a viajar constantemente e quem o substitu\u00eda era \u00cdsis, sua irm\u00e3, esposa e rainha.<\/p>\n\n\n\n<p>O matrim\u00f4nio, as virtudes, o poder e a admira\u00e7\u00e3o que o povo nutria por Os\u00edris exasperaram a inveja de seu irm\u00e3o. De acordo com algumas vers\u00f5es, a gota d&#8217;\u00e1gua foi quando Os\u00edris se achou no direito de assediar N\u00e9ftis. Para se vingar, Seth planejou e executou o assassinato do rei. Isis e N\u00e9ftis sa\u00edram em busca dos restos mortais, e as l\u00e1grimas de lamento de Isis ficaram conhecidas como sendo as respons\u00e1veis pelas cheias no Nilo. O cad\u00e1ver finalmente foi encontrado e, com a ajuda de Toth (deus da sabedoria, da escrita e dador dos hier\u00f3glifos) e An\u00fabis (deus embalsamador dos mortos), Os\u00edris foi trazido de volta \u00e0 vida, mas por pouco tempo. Foi o suficiente para engravidar Isis, que lhe deu H\u00f3rus. Em seguida, o patriarca partiu para ocupar a posi\u00e7\u00e3o de deus do submundo e da morte.<\/p>\n\n\n\n<p>Para os antigos eg\u00edpcios, sempre que um humano morre, ele \u00e9 recepcionado por An\u00fabis, que, para avaliar como a pessoa se comportou durante a vida, <strong>pesa o cora\u00e7\u00e3o do falecido pondo-o em um prato de uma balan\u00e7a, enquanto, no outro prato, deposita uma pena<\/strong>. Ap\u00f3s a pesagem, o morto \u00e9 encaminhado para um julgamento final perante Os\u00edris, no qual \u00e9 interrogado sobre diversas passagens de sua vida. Dependendo das respostas, Os\u00edris pode at\u00e9 aliviar o julgamento de quem teve o cora\u00e7\u00e3o mais pesado do que uma pena e foi reprovado no teste da balan\u00e7a. Os aprovados s\u00e3o mandados para Aaru, um para\u00edso semelhante \u00e0 Terra, no qual passam a viver na companhia dos deuses, enquanto os condenados s\u00e3o devorados por <strong>Amnut<\/strong>, deusa representada pelos tr\u00eas animais mais temidos do Egito: cabe\u00e7a de crocodilo e corpo com partes de le\u00e3o e de hipop\u00f3tamo.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"373\" src=\"https:\/\/professorpaulosouza.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/image-15.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-111\" srcset=\"https:\/\/professorpaulosouza.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/image-15.png 640w, https:\/\/professorpaulosouza.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/image-15-300x175.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">An\u00fabis pesando cora\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"505\" src=\"https:\/\/professorpaulosouza.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/image-24.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-179\" srcset=\"https:\/\/professorpaulosouza.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/image-24.png 640w, https:\/\/professorpaulosouza.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/image-24-300x237.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Amnut<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>A cren\u00e7a na vida ap\u00f3s a morte levou \u00e0 descoberta de t\u00e9cnicas para a conserva\u00e7\u00e3o de corpos. O cad\u00e1ver de um fara\u00f3 ou de um rico cujo fam\u00edlia tivesse condi\u00e7\u00f5es de pagar era mumificado para que o falecido pudesse voltar ao corpo futuramente (os pobres eram enterrados na areia do deserto ou a fam\u00edlia pagava um tratamento mais barato e simples do cad\u00e1ver). O processo se iniciava com uma incis\u00e3o no abd\u00f4men, da qual as v\u00edsceras eram removidas e depositadas em vasos. O c\u00e9rebro era retirado pelo nariz, com a utiliza\u00e7\u00e3o de um gancho ou pin\u00e7a de metal ou de um pequeno fole. Em seguida, o cad\u00e1ver era coberto de natr\u00e3o (um tipo de sal) para que a umidade fosse eliminada. Como a \u00e1gua \u00e9 o substrato para a prolifera\u00e7\u00e3o das bact\u00e9rias respons\u00e1veis pela decomposi\u00e7\u00e3o do corpo, a desidrata\u00e7\u00e3o contribuia para mant\u00ea-lo preservado por muito tempo. Terminada essa etapa, opcionalmente era feito o preenchimento do corpo com pano, palha, l\u00edquen ou serragem, a fim de melhorar a apar\u00eancia da m\u00famia. Por fim, o corpo era envolvido em tiras de linho perfumado. A m\u00famia do fara\u00f3 era depositada em um sarc\u00f3fago e repousava dentro de sua pir\u00e2mide, junto a diversos objetos que se acreditava serem \u00fateis ao morto.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, nos t\u00famulos eram deixados textos com pedidos de absolvi\u00e7\u00e3o a Os\u00edris. Posteriormente, esses textos foram reunidos em uma \u00fanica obra: o <strong>Livro dos Mortos<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Voltando ao mundo dos vivos, a briga entre H\u00f3rus, filho de Os\u00edris e Isis, deus protetor dos fara\u00f3s e das fam\u00edlias, e Seth, deus do deserto, da viol\u00eancia e da desordem, teria tido graves consequ\u00eancias. Alguns estudiosos interpretam essa narrativa como uma alegoria que representa a divis\u00e3o do Egito em dois reinos e as batalhas travadas at\u00e9 unific\u00e1-lo. Tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel interpretar a dicotomia como uma explica\u00e7\u00e3o para a exist\u00eancia do mal no mundo, e, nessa perspectiva, existem alguns desdobramentos poss\u00edveis para a hist\u00f3ria. Um diz que H\u00f3rus venceu a luta. Outro diz que o confronto continuaria acontecendo, que Seth e H\u00f3rus dividiriam o poder ou que Seth se manteria no poder, que a viol\u00eancia existente no mundo seria de sua responsabilidade e que s\u00f3 teria fim quando o usurpador fosse tirado do trono e H\u00f3rus fosse coroado rei do mundo. De qualquer maneira, os far\u00f3s eram considerados encarna\u00e7\u00f5es de H\u00f3rus e respons\u00e1veis no Egito pela manuten\u00e7\u00e3o da Maat, a deusa e emana\u00e7\u00e3o de R\u00e1 que representa a ordem c\u00f3smica e a justi\u00e7a, enquanto o resto do mundo representava o caos e a hostilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das principais fun\u00e7\u00f5es da arte eg\u00edpcia era representar temas da religi\u00e3o com as j\u00e1 citadas. A maioria das divindades era retratada como uma mistura humana e animal (o chamado antropozoomorfismo), o que servia para melhor transmitir suas caracter\u00edsticas. Por exemplo, An\u00fabis era retratado como corpo humano e cabe\u00e7a de chacal, e H\u00f3rus, com corpo humano e cabe\u00e7a de falc\u00e3o. As pinturas caracterizavam-se pelo respeito \u00e0 <strong>lei da frontalidade<\/strong>, segundo a qual um dos olhos e o tronco s\u00e3o mostrados sempre de frente para o observador, enquanto a cabe\u00e7a, as pernas e os p\u00e9s aparecem de perfil.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m dos deuses e fara\u00f3s, no M\u00e9dio Imp\u00e9rio, outros temas come\u00e7aram a ser abordados na arte eg\u00edpcia, e aspectos do cotidiano dos cidad\u00e3os comuns ganharam mais espa\u00e7o. A ourivesaria tamb\u00e9m se destacou, com a produ\u00e7\u00e3o de j\u00f3ias feitas a partir de metais e pedras preciosas compradas da N\u00fabia. Foi uma \u00e9poca de florescimento cultural no Egito. Depois, disputas internas pelo poder debilitaram o Estado, facilitando a invas\u00e3o por um povo estrangeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>O <strong>Segundo Per\u00edodo Intermedi\u00e1rio<\/strong> ficou marcado domina\u00e7\u00e3o dos hicsos, um povo semita asi\u00e1tico, cujos famosos guerreiros montavam cavalos. Foi durante esse per\u00edodo que os hebreus chegaram, vindos da Palestina, de onde fugiram devido a uma severa seca. Os hicsos foram expulsos no <strong>Novo Imp\u00e9rio<\/strong>, e os hebreus, escravizados. Esses fatos s\u00e3o narrados no livro b\u00edblico do \u00caxodo. Na mesma \u00e9poca, o Egito se valeu de um ex\u00e9rcito renovado, formado por infantaria e cavalaria e apoiado por carros de guerra, para expandir o seu territ\u00f3rio, conquistando a N\u00fabia, a Fen\u00edcia, a Palestina e a S\u00edria e estendendo seu dom\u00ednio at\u00e9 o rio Eufrates, na Mesopot\u00e2mia. Em seguida, estabeleceu um lucrativo com\u00e9rcio com esses locais e com a ilha de Creta. As riquezas obtidas serviram para construir enormes templos (como os de <strong>Karnak, Hatshepsut e Luxor<\/strong>, na capital Tebas, o de Hatshepsut constru\u00eddo em homenagem \u00e0 not\u00e1vel fara\u00f3 de mesmo nome, uma das poucas mulheres a governar o Egito) e <strong>tumbas decoradas no Vale dos Reis<\/strong>.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"480\" src=\"https:\/\/professorpaulosouza.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/image-18.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-114\" srcset=\"https:\/\/professorpaulosouza.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/image-18.png 640w, https:\/\/professorpaulosouza.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/image-18-300x225.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Templo de Karnak<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"427\" src=\"https:\/\/professorpaulosouza.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/image-17.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-113\" srcset=\"https:\/\/professorpaulosouza.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/image-17.png 640w, https:\/\/professorpaulosouza.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/image-17-300x200.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Templo de Luxor<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"480\" src=\"https:\/\/professorpaulosouza.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/image-26.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-632\" srcset=\"https:\/\/professorpaulosouza.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/image-26.png 640w, https:\/\/professorpaulosouza.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/image-26-300x225.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Templo de Hatshepsut<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/professorpaulosouza.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/image.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-243\" width=\"640\" height=\"426\" srcset=\"https:\/\/professorpaulosouza.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/image.png 640w, https:\/\/professorpaulosouza.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/image-300x200.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Tumba no Vale dos Reis<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>O forte ex\u00e9rcito tamb\u00e9m permitiu que os eg\u00edpcios mantivessem os territ\u00f3rios conquistados e evitassem novas invas\u00f5es. Primeiro, houve um confronto contra os hititas. A investiga\u00e7\u00e3o das ru\u00ednas das cidades desse povo, em uma das quais (Hattusa) inclusive foram encontradas in\u00fameras t\u00e1buas de argila com caracteres cuneiformes, revelaram que os hititas sa\u00edram do norte do Mar Negro em dire\u00e7\u00e3o ao sul (na atual Turquia). Eles foram a primeira civiliza\u00e7\u00e3o a confeccionar ferramentas e armas de ferro em larga escala, iniciando assim a Idade do Ferro, embora a maioria das outras civiliza\u00e7\u00f5es s\u00f3 aderissem mais tarde. Um dos primeiros reis hititas, Hattusili I, invadiu a S\u00edria. Seu sucessor, Mursili I, saqueou a Babil\u00f4nia, embora depois tenha sido morto, e as conquistas, perdidas.<\/p>\n\n\n\n<p>Posteriormente, os hititas se recuperaram e o rei Muwatalli II chegou a competir com o fara\u00f3 Rams\u00e9s II pela supremacia na S\u00edria, o que culminou com a famosa Batalha de Kadesh. Foi o maior conflito at\u00e9 ent\u00e3o, contando com 37 mil guerreiros e 3500 carros de combate eg\u00edpcios contra 20 mil guerreiros e 2500 carros hititas. Ap\u00f3s um jogo de intelig\u00eancia, houve um equil\u00edbrio de for\u00e7as, levando \u00e0 assinatura de um tratado de paz entre Rams\u00e9s II e Hattusili III (sucessor de Muwatalli II). Como parte do acordo, houve um casamento arranjado do fara\u00f3 com a filha de Hattusili.<\/p>\n\n\n\n<p>Cem anos depois, o Imp\u00e9rio Hitita desmoronou perante a invas\u00e3o pelos Povos do Mar Egeu, uma misteriosa coaliz\u00e3o oriunda do leste do Mediterr\u00e2neo. Os Povos do Mar tamb\u00e9m tentaram conquistar o Egito, mas o ent\u00e3o fara\u00f3, Rams\u00e9s III, liderou a defesa do territ\u00f3rio e saiu vitorioso.<\/p>\n\n\n\n<p>Internamente, o Novo Imp\u00e9rio Eg\u00edpcio tamb\u00e9m resistiu a amea\u00e7as contra a centraliza\u00e7\u00e3o do poder. O fara\u00f3 <strong>Amen\u00f3fis ou Amenotepe IV<\/strong>, para cercear a influ\u00eancia dos sacerdotes, reformou a religi\u00e3o e instaurou o culto a um \u00fanico deus, obrigando os s\u00faditos a adorar exclusivamente a \u00c1ton (a divindade do disco solar) e a destruir todas as rel\u00edquias dedicadas a outros deuses, ao mesmo tempo em que se apresentava como encarna\u00e7\u00e3o e sumo sacerdote de \u00c1ton. Amen\u00f3fis IV mudou de nome para Aquen\u00e1ton e estabeleceu a capital do Egito na cidade de Aquet\u00e1ton. Entretanto, a estrat\u00e9gia n\u00e3o durou, pois os sacerdotes ficaram insatisfeitos e as fam\u00edlias eg\u00edpcias, que se dedicavam ao culto de deuses protetores, sentiram-se oprimidas. O filho de Aquen\u00e1ton foi batizado como Tutanc\u00e1ton, mas, ao assumir o poder, ele mudou de nome para <strong>Tutanc\u00e2mon<\/strong>, a fim de se livrar da mem\u00f3ria negativa associada ao pai, e restaurou o antigo polite\u00edsmo eg\u00edpcio. De qualquer maneira, o governo de Aquen\u00e1ton foi o momento em que a humanidade mais se aproximou do monote\u00edsmo antes dos hebreus.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/professorpaulosouza.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/image-34.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-655\" width=\"449\" height=\"674\" srcset=\"https:\/\/professorpaulosouza.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/image-34.png 640w, https:\/\/professorpaulosouza.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/image-34-200x300.png 200w\" sizes=\"auto, (max-width: 449px) 100vw, 449px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Aquen\u00e1ton com formas femininas, pois provavelmente tinha ginecomastia<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/professorpaulosouza.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/image-19.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-115\" width=\"-627\" height=\"-917\" srcset=\"https:\/\/professorpaulosouza.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/image-19.png 640w, https:\/\/professorpaulosouza.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/image-19-205x300.png 205w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Busto de Nefertiti (&#8220;A Bela Chegou&#8221;), esposa de Aquen\u00e1ton. Hoje exposto no Museu de Berlim.<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/professorpaulosouza.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/image-21.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-123\" width=\"401\" height=\"565\" srcset=\"https:\/\/professorpaulosouza.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/image-21.png 640w, https:\/\/professorpaulosouza.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/image-21-213x300.png 213w\" sizes=\"auto, (max-width: 401px) 100vw, 401px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">M\u00e1scara mortu\u00e1ria de Tutanc\u00e2mon<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Enfraquecido devido a disputas pelo poder, o Egito foi conquistado no <strong>Terceiro Per\u00edodo Intermedi\u00e1rio<\/strong> pelos cuchitas, que estabeleceram a pr\u00f3pria linhagem de soberanos, conhecidos como <strong>fara\u00f3s negros<\/strong>. Posteriormente, o controle do territ\u00f3rio passou pelas m\u00e3os dos ass\u00edrios, dos persas, do imp\u00e9rio de Alexandre, o Grande e dos romanos.<\/p>\n\n\n\n<p>Os eg\u00edpcios deixaram um imenso legado para a humanidade em geral, tanto nas artes como nas ci\u00eancias. Na matem\u00e1tica, uma das principais fontes dispon\u00edveis \u2014 o <strong>Papiro Rhind<\/strong>, redigido em hier\u00e1tico, comprado no s\u00e9culo XIX numa feira por um turista escoc\u00eas de mesmo nome \u2014 revela que eles sabiam resolver uma ampla gama de problemas pr\u00e1ticos, em especial problemas financeiros e geom\u00e9tricos, sabiam calcular as \u00e1reas de algumas figuras planas e os volumes de alguns s\u00f3lidos. Tamb\u00e9m inventaram um sistema pr\u00f3prio de s\u00edmbolos para representar quantidades e conheciam algumas t\u00e9cnicas para resolver equa\u00e7\u00f5es simples.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"383\" src=\"https:\/\/professorpaulosouza.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/image-22.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-124\" srcset=\"https:\/\/professorpaulosouza.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/image-22.png 640w, https:\/\/professorpaulosouza.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/image-22-300x180.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Papiro Rhind, hoje no Museu Brit\u00e2nico<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Na medicina, os eg\u00edpcios obtiveram conhecimentos sobre anatomia humana, reconheceram a import\u00e2ncia do cora\u00e7\u00e3o e sua rela\u00e7\u00e3o com outros \u00f3rg\u00e3os do corpo, desenvolveram t\u00e9cnicas para tratar de fraturas e anestesiar pacientes e forjaram instrumentos para realizar pequenas cirurgias, como a da catarata.<\/p>\n\n\n\n<p>Na astronomia, propuseram o calend\u00e1rio solar de 365 dias.<\/p>\n\n\n\n<p>Passados mil\u00eanios desde o seu auge, o Egito continua povoando a imagina\u00e7\u00e3o de estudantes e admiradores no mundo inteiro, sendo fonte de in\u00fameras obras de arte e inspira\u00e7\u00e3o para tantas outras, al\u00e9m de ber\u00e7o de uma sabedoria perene que atravessou o tempo e est\u00e1 longe de ser apagada. \u25a0<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Exerc\u00edcios<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>(Vunesp-SP) Os Estados teocr\u00e1ticos da Mesopot\u00e2mia e do Egito evolu\u00edram acumulando caracter\u00edsticas comuns e peculiaridades culturais. Os eg\u00edpcios desenvolveram a pr\u00e1tica de embalsamar o corpo humano porque:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>a) se opunham ao polite\u00edsmo dominante na \u00e9poca.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>b) os seus deuses, sempre prontos para castigar os pegadores, desencadearam o dil\u00favio.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>c) depois da morte a alma podia voltar ao corpo mumificado.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>d) constru\u00edram t\u00famulos, em forma de pir\u00e2mides truncadas, erigidos para a eternidade.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>e) os camponeses constitu\u00edam categoria social inferior.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Resposta: alternativa c). Os eg\u00edpcios desenvolveram o processo de mumifica\u00e7\u00e3o para conservar corpos de falecidos por muito tempo, pois acreditavam que depois da morte a alma podia voltar ao corpo.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Egito, no nordeste da \u00c1frica, foi o primeiro reino unificado da hist\u00f3ria. \u00c9 um dos mais longos casos de continuidade pol\u00edtica e cultural da humanidade. Embora tenha vivido momentos de descentraliza\u00e7\u00e3o e de domina\u00e7\u00e3o estrangeira, durante tr\u00eas mil\u00eanios o Egito constituiu uma mesma entidade pol\u00edtica reconhec\u00edvel e, do ponto de vista cultural, sua l\u00edngua&hellip; <a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/professorpaulosouza.com.br\/index.php\/2023\/02\/24\/antiguidade-oriental-egito\/\">Continue reading <span class=\"screen-reader-text\">Antiguidade Oriental: Egito<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[7,8,5],"class_list":["post-83","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-historia","tag-antiguidade-oriental","tag-egito","tag-historia","entry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/professorpaulosouza.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/83","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/professorpaulosouza.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/professorpaulosouza.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/professorpaulosouza.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/professorpaulosouza.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=83"}],"version-history":[{"count":42,"href":"https:\/\/professorpaulosouza.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/83\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":811,"href":"https:\/\/professorpaulosouza.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/83\/revisions\/811"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/professorpaulosouza.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=83"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/professorpaulosouza.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=83"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/professorpaulosouza.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=83"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}