{"id":1127,"date":"2024-12-30T18:28:23","date_gmt":"2024-12-30T21:28:23","guid":{"rendered":"https:\/\/professorpaulosouza.com.br\/?p=1127"},"modified":"2024-12-30T18:28:41","modified_gmt":"2024-12-30T21:28:41","slug":"e-verdade-que-alekhine-negou-revanche-para-capablanca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/professorpaulosouza.com.br\/index.php\/2024\/12\/30\/e-verdade-que-alekhine-negou-revanche-para-capablanca\/","title":{"rendered":"\u00c9 verdade que Alekhine negou revanche para Capablanca?"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"375\" src=\"https:\/\/professorpaulosouza.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/image.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1128\" srcset=\"https:\/\/professorpaulosouza.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/image.png 640w, https:\/\/professorpaulosouza.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/image-300x176.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Alekhine e Capablanca<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Essa \u00e9 uma hist\u00f3ria na qual alguns admiradores do \u00fanico campe\u00e3o mundial latinoamericano, o cubano Jos\u00e9 Ra\u00fal Capablanca, querem acreditar. De acordo com o livro de Edward Lasker,&nbsp;<em>The Adventure of Chess<\/em>&nbsp;(Dover, 1959), ningu\u00e9m aceitou o resultado do match de 1927 (quando Alekhine destronou Capablanca) como uma compara\u00e7\u00e3o fiel entre as for\u00e7as desses jogadores, e, para muitos especialistas, o cubano teria reconquistado o t\u00edtulo num match de desforra. Todavia &#8212; ainda segunda Lasker &#8212;,&nbsp;<strong>o novo campe\u00e3o mundial tomou cuidado para que Capablanca jamais tivesse uma segunda oportunidade de enfrent\u00e1-lo.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Neste post, veremos que os fatos n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o simples como parecem, o que descobri lendo sobre a hist\u00f3ria das \u201c<strong>London Rules<\/strong>\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Antes de mais nada, \u00e9 preciso entender que, antigamente, o detentor do t\u00edtulo mundial tinha muito mais poder do que hoje. Mesmo com o surgimento da Fide, em 1924, por d\u00e9cadas o campe\u00e3o mundial p\u00f4de impor suas pr\u00f3prias condi\u00e7\u00f5es para jogar contra um desafiante.&nbsp;<strong>Uma interpreta\u00e7\u00e3o sobre o que aconteceu depois de 1927 \u00e9 que Alekhine<\/strong><strong>&nbsp;passou a usar seus direitos para n\u00e3o mais ter de defender o t\u00edtulo contra Capablanca, o que relevaria uma atitude antiesportiva e at\u00e9 mesmo temor, por parte do russo*.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, para sermos justos, precisamos lembrar que,&nbsp;<strong>assim como Alekhine criou suas regras, o mesmo fizera Capablanca, em 1922, com as London Rules (que Alekhine teve de cumprir).<\/strong>&nbsp;Estas, al\u00e9m de determinar o formato do match pelo campeonato mundial, em sua oitava cl\u00e1usula, diziam: \u201cO campe\u00e3o mundial n\u00e3o ser\u00e1 obrigado a defender seu t\u00edtulo por uma bolsa inferior a 10 mil d\u00f3lares, em adi\u00e7\u00e3o \u00e0s despesas de viagem de ambos os jogadores e de suas despesas de estadia durante a realiza\u00e7\u00e3o do match\u201d (o original em em ingl\u00eas est\u00e1 dispon\u00edvel no portal&nbsp; &lt;<a href=\"https:\/\/www.chesshistory.com\/winter\/extra\/london.html\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.chesshistory.com\/winter\/extra\/london.html\" rel=\"noreferrer noopener\" target=\"_blank\">https:\/\/www.chesshistory.com\/winter\/extra\/london.html<\/a>&gt;).<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o portal &lt;<a href=\"https:\/\/www.dollartimes.com\/inflation\/\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.dollartimes.com\/inflation\/\" rel=\"noreferrer noopener\" target=\"_blank\">https:\/\/www.dollartimes.com\/inflation\/<\/a>&gt;, US$10.000 de 1927 equivalem a US$173.303 de 2024. Esse foi o valor da bolsa finalmente paga, por um grupo de empres\u00e1rios e pelo presidente da Argentina, que sediou o match. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s partidas desse confronto, Lasker (1959) diz que Capablanca e Alekhine tinham estilos diferentes; enquanto Capablanca tinha um estilo preciso &#8212; gostava de se sentir no controle de para onde a partida caminhava &#8212; Alekhine, assim como Emanuel Lasker, era mais rom\u00e2ntico, n\u00e3o tendo receio de aventuras e complica\u00e7\u00f5es. As surpresas que o russo armava no meio jogo, junto ao fato de Alekhine nunca ter ganhado de Capablanca antes do match, certamente pegaram o cubano subestimando seu advers\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 em rela\u00e7\u00e3o a prepara\u00e7\u00e3o, ocorria algo bastante diferente. Enquanto Capablanca e Emanuel Lasker se aproximavam nesse sentido, pois ambos estudaram relativamente pouco depois de terem atingido a maturidade no xadrez, Alekhine, ao contr\u00e1rio, continuou dedicando de quatro a oito horas por dia para estudar partidas de outros jogadores e aprimorar as suas pr\u00f3prias.<\/p>\n\n\n\n<p>Pode ser que Alekhine ficasse irritado com o estilo de Capablanca.&nbsp;<strong>Depois de derrot\u00e1-lo, o que o mestre russo fez teria sido apenas reciprocidade<\/strong>, cobrando de Capablanca as mesmas exig\u00eancias que o cubano determinou nas London Rules &#8212; Esta \u00e9 outra vers\u00e3o poss\u00edvel sobre o que aconteceu depois de 1927. Mas parece haver uma diferen\u00e7a significativa:&nbsp;<strong>as London Rules foram acordadas por v\u00e1rios mestres presentes no congresso de Londres de 1922 (incluindo Alekhine), enquanto Alekhine n\u00e3o consultou ningu\u00e9m&nbsp;<\/strong>sobre a razoabilidade de se exigir que Capablanca arranjasse a mesma bolsa de 10 mil d\u00f3lares, mesmo com a crise econ\u00f4mica gerada pela Grande Depress\u00e3o. Por outro lado,&nbsp;<strong>h\u00e1 quem diga que Capablanca tamb\u00e9m fez \u201ccorpo mole\u201d nas negocia\u00e7\u00f5es para o match de revanche<\/strong>, uma vez que muitos acreditavam que ele ainda era o melhor do mundo, o que poderia ter rendido apoio financeiro de patrocinadores, mesmo com a crise que existia. Capablanca tamb\u00e9m teria voltado atr\u00e1s em datas propostas a Alekhine para os dois jogarem, o que tamb\u00e9m teria atrapalhado as negocia\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Certamente, mais de um fator contribuiu para que os dois n\u00e3o mais se enfrentassem pelo t\u00edtulo mundial: antipatia m\u00fatua, m\u00e1 vontade, falta de patroc\u00ednio, calend\u00e1rios incompat\u00edveis \u2026 Cada um pode tirar suas pr\u00f3prias conclus\u00f5es hoje, mas nada ir\u00e1 tirar a epicidade da rivalidade Capablanca-Alekhine, nem a grandiosidade desses dois jogadores.<\/p>\n\n\n\n<p>*<em>Alexander Alekhine nasceu na R\u00fassia, mas ele se tornou cidad\u00e3o franc\u00eas e defendeu a Fran\u00e7a como jogador de xadrez.<\/em> <strong>\u220e<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Essa \u00e9 uma hist\u00f3ria na qual alguns admiradores do \u00fanico campe\u00e3o mundial latinoamericano, o cubano Jos\u00e9 Ra\u00fal Capablanca, querem acreditar. 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